Quem escreve o que o algoritmo pensa? Recomendações voltadas aos riscos do viés algorítmico no uso da Inteligência Artificial pela Defensoria Pública do Paraná, com vistas à proteção dos direitos da personalidade dos assistidos

dc.contributor.advisor1Consalter, Zilda Mara
dc.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/5471268018863867
dc.contributor.authorVelloso, Larissa Cimarelli
dc.contributor.instituicao-banca1Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
dc.contributor.instituicao-banca2Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
dc.contributor.referee1Pereira, Dirce do Nascimento
dc.contributor.referee1Latteshttp://lattes.cnpq.br/9407519980824473
dc.contributor.referee2Bezerra, Eudes Vitor
dc.contributor.referee2Latteshttp://lattes.cnpq.br/2512954835653624
dc.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/2511797449836530
dc.date.accessioned2026-05-28T00:00:00Z
dc.date.accessioned2026-05-28T23:34:28Z
dc.date.accessioned2026-06-29T13:55:07Z
dc.date.issued2026-03-25
dc.description.abstractA investigação insere-se no contexto da modernidade digital e da Sociedade da Informação, marcadas pela hiperconectividade e centralidade dos dados na organização das dinâmicas sociais e institucionais. A crescente incorporação da Inteligência Artificial (IA), inclusive no sistema de justiça, evidencia uma reconfiguração das formas de produção de conhecimento, tomada de decisão e exercício de direitos. Nesse cenário, os algoritmos influenciam a circulação de informações e a definição de oportunidades, impactando na esfera jurídica e na proteção dos direitos fundamentais. Assim, a pergunta da pesquisa consiste no seguinte: quais as recomendações a serem direcionadas às Defensorias Públicas do Estado do Paraná, com o intuito de prevenir ou mitigar os riscos do viés algorítmico para os direitos da personalidade dos assistidos? Buscando respostas lógicas e confiáveis ao problema de pesquisa, partiu-se da hipótese de que, na ausência de comandos claros, estruturados e eticamente delimitados, sistemas de IA tendem a reproduzir padrões implícitos dos dados de treinamento e a reforçar inclinações presentes no enunciado do usuário, gerando respostas imprecisas ou enviesadas, com potencial lesivo aos direitos da personalidade. Então, é necessário que sejam fixadas diretrizes visando evitar ou mitigar esses potenciais desvios causados pelo uso da tecnologia. O objetivo geral reside detectar os riscos do viés algorítmico aos direitos da personalidade e propor instrumento técnico-orientativo destinado à Defensoria Pública do Estado do Paraná, voltado à utilização responsável da IA. Como objetivos específicos, buscou-se: (i) contextualizar a modernidade digital e a hiperconectividade como fenômenos estruturantes; (ii) examinar os direitos da personalidade no ordenamento brasileiro e sua ressignificação na era digital; (iii) compreender o funcionamento técnico da IA, identificando pontos críticos de enviesamento; e (iv) desenvolver cartilha prática de engenharia de prompts para mitigação de riscos no uso institucional dessas ferramentas. No percurso metodológico, a pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza exploratória e aplicada, utilizando método dedutivo e técnica documental indireta consistente na pesquisa bibliográfica, normativa e análise técnica dos fundamentos da IA. Também houve pesquisa exploratória, com a realização de um experimento prático com as ferramentas Gemini e ChatGPT mediante comparação entre prompts estruturados e não estruturados, bem como estágio de imersão na Defensoria Pública do Estado do Paraná – Núcleo Ponta Grossa. Dos achados de pesquisa, tem-se que estes demonstraram que o viés algorítmico constitui risco estrutural decorrente da lógica probabilística dos sistemas, da incorporação de dados historicamente assimétricos e das escolhas humanas na modelagem dos algoritmos. Constatou-se que decisões automatizadas podem naturalizar desigualdades sob aparência de neutralidade matemática, afetando concretamente os direitos da personalidade. No plano empírico, verificou-se tendência confirmatória em respostas geradas por comandos genéricos, evidenciando que a qualidade do prompt influencia diretamente a precisão e a adequação jurídica do resultado. Conclui-se que a proteção dos direitos da personalidade na era digital exige não apenas atualização normativa, mas também práticas institucionais responsáveis no uso da IA. A engenharia de prompts mostrouse instrumento relevante para mitigação de riscos, sem afastar a indispensável supervisão humana, reafirmando a centralidade da dignidade da pessoa humana como limite e fundamento do desenvolvimento tecnológico.
dc.description.resumoThis research is present within the context of digital modernity and the information society, characterized by hyperconnectivity and the centrality of data in shaping social and institutional structures. The rise in the adoption of Artificial Intelligence (AI), even in the legal sphere, reveals a reconfiguration of the way knowledge is produced, decisions are taken and rights are exercised. In this scenario, algorithms influence the circulation of information and the distribution of opportunities, generating systemic impact on the legal system and on the protection of fundamental rights. Therefore, the main question guiding this research is: what recommendations could be given to the Public Defender’s Office of the State of Paraná in order to prevent or mitigate the risks of algorithmic bias to the personality rights of the legally assisted public? In seeking logical and reliable answers, this study works with the hypothesis that, in the absence of clear, structured, and ethically delimited commands, AI systems tend to reproduce implicit patterns embedded in their data training and to reinforce biases present in user inputs, generating imprecise or slanted outputs with potentially harmful effects on personality rights. Consequently, it is necessary to establish guidelines aimed at preventing or mitigating such distortions arising from the institutional use of these technologies. The main objective is to identify the risks posed by algorithmic bias to personality rights and to propose a technical and advisory document for the Public Defender’s Office of the State of Paraná, focused on the responsible use of AI. The specific objectives are: (i) to contextualize digital modernity and hyperconnectivity as structuring phenomena; (ii) to examine personality rights within the Brazilian legal system and their reinterpretation in the digital age; (iii) to understand the technical functioning of AI systems, identifying critical points susceptible to bias; and (iv) to develop a practical prompt engineering guide to mitigate risks in the institutional use of such tools. Methodologically, this research adopts a qualitative, exploratory, and applied approach, employing the deductive method and indirect documentary research techniques, including bibliographical and normative research, as well as a technical analysis of AI foundations. An empirical and exploratory component was also conducted, consisting of a practical experiment using Google Gemini and ChatGPT, comparing structured and unstructured prompts. Additionally, an immersion internship was carried out at the Ponta Grossa unit of the Public Defender’s Office of the State of Paraná. The findings demonstrate that algorithmic bias constitutes a structural risk arising from the probabilistic logic of AI systems, the incorporation of historically asymmetrical data, and human choices involved in algorithmic design. It was observed that automated decisions may naturalize inequalities under the guise of mathematical neutrality, thereby concretely affecting personality rights. Empirically, a confirmatory tendency was identified in responses generated from generic prompts, evidencing that prompt quality directly influences the accuracy and legal adequacy of outputs. This study concludes that safeguarding personality rights in the digital era requires not only normative updates but also responsible institutional practices in the use of AI. Prompt engineering proved to be a relevant tool for risk mitigation, without displacing the indispensable role of human oversight, thus reaffirming the centrality of human dignity as both a limit and a foundational principle guiding technological development.
dc.identifier.citationVELLOSO, Larissa Cimarelli. Quem escreve o que o algoritmo pensa? Recomendações voltadas aos riscos do viés algorítmico no uso da Inteligência Artificial pela Defensoria Pública do Paraná, com vistas à proteção dos direitos da personalidade dos assistidos. 2026. Dissertação (Mestrado Profissional em Direito) - Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2026.
dc.identifier.urihttps://ri.uepg.br/handle/123456789/2103
dc.language.isopt
dc.publisherUniversidade Estadual de Ponta Grossa
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_abf2
dc.rightsAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.subjectinteligência artificial
dc.subjectviés algorítmico
dc.subjectdireitos da personalidade
dc.subjecthiperconectividade
dc.subjectengenharia de prompts
dc.subjectartificial intelligence
dc.subjectalgorithmic bias
dc.subjectpersonality rights
dc.subjecthyperconnectivity
dc.subjectprompt engineering
dc.titleQuem escreve o que o algoritmo pensa? Recomendações voltadas aos riscos do viés algorítmico no uso da Inteligência Artificial pela Defensoria Pública do Paraná, com vistas à proteção dos direitos da personalidade dos assistidos
dc.typemaster thesis

Files

Original bundle

Now showing 1 - 1 of 1
Loading...
Thumbnail Image
Name:
Larissa Cimarelli Velloso.pdf
Size:
2.87 MB
Format:
Adobe Portable Document Format

License bundle

Now showing 1 - 2 of 2
Loading...
Thumbnail Image
Name:
license.txt
Size:
1.24 KB
Format:
Item-specific license agreed to upon submission
Description:
Loading...
Thumbnail Image
Name:
license.txt
Size:
1.24 KB
Format:
Item-specific license agreed to upon submission
Description: